sábado, 19 de abril de 2008


"Semeiem a retidão para si, colham o fruto de um amor que não falha e façam sulcos no seu solo não arado, pois é tempo de buscar o Senhor, até que Ele venha e faça chover justiça sobre vocês - Oséias 10.12



Ultimamente, mais do que nunca, tenho sentido a necessidade de fazer valer tudo que ina vida um dia chegar a representar. Os familiares pensamentos do quanto desejo que, quando a obra de toda uma vida for testada, não sobre apenas cinzas. Antes era tudo meio subjetivo para mim. Era ciência de que Deus espera que eu viva para mais do que meu egoísmo permite. O entendimento de que Cristo precisar se revelar em mim.
Passei por uma grande mudança nos últimos meses. Mudei. De casa, cidade, país. Estado civil. Estado emocional. Acima de tudo, esse Cristo em mim mudou. Eu mudei. Foi me encontrando rodeada de mundo, que do mundo cansei. Não é só a perda de um ente tão querido que me levou a inspiração. Foi o entendimento dirário que, nesse mundo que só pensa em seu próprio prazer, as perdas são sempre mais do que os ganhos - e são assim sempre. E sempre serão.
Podem até me achar pessimista. Ou pensarem, talvez, que o clima frio e nublado roubou um calor amistoso em meu coração. Mas a verdade é que, por saber que há algo melhor, não posso mais me contentar com essa Terra. Quero sim 'novos céus, nova Terra'. Se me perguntarem o que eu mais desejo a resposta vem pronta! Não do tipo fast-food, sem gosto e sabor. Vem queimando do coração e saindo pela garganta em ardente clamor: Quero que Jesus volte!!
Será que não é assim que me encontraria se soubesse que existe um Perfeito?Que faço eu para, então, fazer valer? Minhas resposta veio em tons e variadas formas. Em silencioso sussurro vieram minhas respostas.

Meu coração está cansado. Cansei desse mundo perdido. Cansei de doenças, violência, de pobreza, de não termos a presença de Deus. Percebo que em mim há sede de justiça. Um querer que as pessoas sejam felizes de fato, que tenham esperança, que saibam o que é verdadeiro Amor. Que não mais precisem lidar com doenças ou ser marcadas pela morte. Querer que nos seja determinado eternamente um novo e precioso valor.




Foi pensando em tudo isso que com um Reino sonhei. Um Governo que me toma o coração todos os dias. Eu desejei mais viver, e ainda mais entregar, para ver esse Reino chegar. Para colher o fruto de um amor que não falha meus caminhos hão de permanecer retos. Isso é o que hei de semear. Vou cavar buracos em meu solo não cultivado, pois meu destino é continuar com a mão no arado.

E então buscarei ao Senhor. E buscarei, e buscarei. Eu O buscarei, Senhor! Ah... até que Venhas... e então chova justiça sobre nós. Vida plena. Com justiça. No próprio Deus.


Que o Seu coração continue enternecido,
e despertada permaneça toda a Sua compaixão!
(Oséias 11,8b)










Good evening everyone! x

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Fé.

Creio eu que a verdadeira fé consiste, não em acreditar em melhores circunstâncias, mesmo que essas circunstâncias venham de Deus. Não consiste também na esperança de ser uma pessoa melhor – um bom cristão. A verdadeira fé é olhar para a pessoa de Jesus Cristo.

A bíblia diz que “a fé é a certeza daquilo que esperamos, e a prova das coisas que não vemos”(NVI Bilíngüe). Com base nessa afirmação tendemos a orar pedindo a Deus para mover e mudar nossas realidades. A vida não é fácil, e algumas vezes pode ser bem difícil. Então nós – como bons cristãos “fazemos a tarefa de casa” ao visualizar a benção de Deus sobre nós, sobrenaturalmente tornando nossas cinzas em canto.


Em outros momentos nós oramos para sermos como Cristo. Para ter o Filho de Deus não só revelado a nós, mas em nós (Rom. 8.18). Nós plenamente acreditamos que virá o dia quando o mistério será finalmente trazido à luz. E nós não viveremos mais como pessoas miseráveis e patéticas rastejando na poeira do pecado.


Mas mesmo se tudo isso for feito com boas intenções, há ainda um nível mais alto que podemos, e devemos, alcançar. O nível onde nossa fé não será baseada na crença de coisas transformadas, mas será alicerçada em Jesus, e somente em Jesus. O ato de olhar para Cristo se esquecendo de todo o resto que está ao redor é o que tenho descoberto ser uma fé real. E não somente isso, mas a fé que o Espírito Santo está desejoso de trazer à tona em nós.


Quando um cristão alcança o patamar de negar a si mesmo mais do que puramente de desejos da carne ou do ego é quando ele de fato recebeu a revelação e o poder para ir muito além no caminho de cogitar sua mente e coração em coisas do céu. A fé se torna, não a respeito de ver os milagres que ele quer ver, mas é totalmente a respeito de ver o Senhor Jesus e o que Ele deseja fazer.


Então, como está escrito em Hebreus 11.1 “… daquilo que esperamos…”; só que o que esperamos há de ter se tornado o que Ele quer. Esse é o ponto – levar nossa fé também (assim como tudo o mais em nossas vidas) para se apoiar em Sua vontade...


A partir desse ponto Seu Espírito é capaz de nos levar à viver uma espiritualidade que nasce de um coração que é capaz de perceber amor e graça de Deus nos momentos mais críticos da vida. Espiritualidade que abraça a cruz mesmo quando essa vida não obedece a regras simples e lógicas. O processo de espiritualidade que Deus planejou aprofunda ainda mais nosso nível de dependência Dele. O coração que ouve permanece confiantemente debaixo de Deus Pai, numa proximidade que o habilita a ouvir e compreender os caminhos e pensamentos do Pai.

É necessária uma disciplina intensa. Para “salvar a nossa própria vida” nosso coração quer resistir aos apelos de Deus para nos envolvermos em determinadas situações. O caminho é, na maioria das vezes, solitário. Ele vai até que não haja nem mesmo um rastro sequer de pegada a seguir, mas somente a voz dizendo: SIGA-ME.


E vivamos para o eterno... Bon jour!


(Texto pessoal parafraseado com os livros “Caminho do coração” – Ricardo Barbosa e “Broken dreams” – Larry Crabb)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Uma volta no lago



Era uma linda manhã. Uma fina camada de neblina ainda nos envolvia, mas já era possível ver pequenos raios de sol que nasciam por detrás da montanha. Podíamos inspirar o ar fresco por entre os pinheiros que circundavam o lago que se localizava no centro de um refúgio no interior de São Paulo. Dani e eu estávamos animadas. Havíamos conseguido nos levantar tão cedo apesar da bagunça no quarto na noite anterior. Estávamos prestes a descobrir que seria sempre uma vitória repetir aquele ato.
O barulho rítmico do cascalho sob nossos pés nos impelia para adiante. Era a primeira de nossas corridas. Muitas outras pessoas também saiam para caminhar no lago àquela hora. Homens, mulheres, vovôs, vovós, jovens... Mas quem me chamou a atenção naquele dia foi um garoto que corria com seu pai.
Já tínhamos descido uma pequena ladeira e corríamos no impulso quando eles nos ultrapassaram. O pai era alto e forte, corria com vigor. Já o garoto era franzino, dava a impressão de estar na fase do ‘espicha’. Não demorou muito e eles entraram no caminho por entre o bosque e sumiram de minha vista.
Eu achei aquilo muito legal. Um garoto, tão cedo, correndo com seu pai. Isso é que é querer estar com o pai! Foi então que o Espírito Santo começou a cochichar no ouvido dessa garota cheia de imaginação que sou. É claro que ele podia transformar aquela simples corrida matinal em algo mais interessante...
A primeira ‘lâmpada’ de revelação que se acendeu pra mim foi sobre a motivação de nossas atitudes. O que fez aquele garoto se levantar tão cedo, passando pelo “terrível processo de trocar de roupa” numa manhã bastante fresca? Ele queria estar com seu pai. Imagino que ele pensava que se fizesse o mesmo que aquele homem, ele se tornaria igual a ele. E não é isso que todos nós pensamos quando imitamos alguém? Quando buscamos nos tornar parecidos com uma pessoa, fazemos o que ela faz.
Deixe-me indagar, você se levantaria tão cedo para correr com o Senhor? Você deseja se tornar parecido com Jesus? Essas questões envolvem a motivação do nosso coração. De nada adianta sair para correr com Ele, se em todo o tempo você fica querendo impressiona-Lo com sua capacidade. Às vezes queremos impressionar mais ainda as pessoas que também “estão na corrida”. Esse realmente não é um motivo muito bom.
Quando Deus nos leva para uma caminhada a Sua intenção é nos ensinar princípios e fazer com que ganhemos resistência. Os olhos com os quais você vê toda a situação determina qual será seu aprendizado no fim. Por isso, nesse momento, te convido a refletir sobre qual tem sido a motivação do seu coração nas corridas da sua vida. Com que perspectiva você tem encarado cada uma delas? “A sua posição determina o objeto que você vê”, eu li num livro.
Passados alguns metros Dani e eu alcançamos o garoto. Só o garoto. E quanto ao pai? Ele tinha continuado, mas o menino não conseguiu acompanhar e ficou para trás. “Que pai mau”, pensei. “Deixou o menino pra trás” Nesse ponto se acendeu a segunda ‘lâmpada’, e aqui encontraremos dois princípios:

1) Precisamos enxergar quão fracos e dependente somos de Deus;

2) O Senhor nos deixará sozinhos em alguma parte da trilha para testar a nossa disposição de ir até o fim.

A primeira coisa que temos que reconhecer é a nossa dependência de Deus. Jesus disse: “Sem mim, nada podeis fazer” (João 15. 5) Não importa em que situação da sua vida você esteja aplicando esse texto. Nada é nada. Quando começamos algo sem Ele – ou, na nossa metáfora, começamos uma corrida sem resistência – mais cedo ou mais tarde estaremos como aquele menino. No meio do caminho, com passos vacilantes e a língua pra fora. Essa, com certeza, não é uma boa posição para se estar.
Deus quer nos mostrar que Ele nos chama para a corrida, mas Ele mesmo é quem nos dá a resistência para irmos até o fim. Ele tem um objetivo em tudo que você vive no seu dia a dia e tem também a fórmula para que você não seja visto como um garotinho sem forças. Porque Ele te vê como uma pessoa madura, perfeitamente apta para andar com Ele. Caso contrário, porque Deus te chamaria pra correr com Ele?
Em segundo lugar, chegaremos num momento onde o Senhor nos deixará por nossa conta. Ele quer testar nossa disposição de ir até o fim. Quantas vezes começamos algo mas, quando percebemos que não damos conta, simplesmente desistimos. Diminuímos o ritmo esperando somente chegar no fim e descansar do todo esforço em vão. Mas para aqueles que tem ouvidos para ouvir, e olhos para ver, há algo mais se desenrolando. Na suposta solidão (sim, suposta, porque Ele jamais nos abandona! Ele nos prometeu que não o faria) Ele nos permite uma mesa redonda com nós mesmos e as nossas motivações.
É mais um momento de tomar a cruz. Você está dolorido, cansado e sem perspectiva. O fim da trilha parece tão longe... Será mesmo que há vantagem em continuar? Essa cruz está diante de você. Irá abraça-la, ou retroceder? Existe um preço a ser pago para ser capacitado a terminar a corrida proposta. Você tem a opção. Mas, saiba que dependendo de qual for sua escolha, uma parte preciosa te será limitada. Uma extensão daquilo que Deus intenta se tornará somente uma miragem para você.
No entanto, com Deus nada é em vão. Ele quer nos ensinar a continuar, confiando no seu suprimento. Não importa em qual parte do caminho estamos, se nos dispormos a seguir adiante, então sua graça nos basta. E essa é a vontade Dele, que prossigamos. Guardemos as palavras de Hebreus 10. 38-39 no coração, onde diz:

“Todavia, o meu justo viverá pela fé; e, se retroceder, nele não se compraz a minha alma. Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto da fé, para a conservação da alma.”

Não é fácil continuar quando não se tem mais forças. Mas será mesmo que essa é toda a força há em você? Não querido. Existe um Deus ilimitado que habita dentro de você. Quando se pensa que não há mais como prosseguir Sua Palavra nos mostra em II Coríntios 2:14 que Ele sempre nos conduz em vitória. Sempre! Quer você acredite nisso ou não, independente de situação. Esteja disposto a seguir em frente, custe o que custar.
Ainda tinha mais da metade do caminho pela frente (“Ô estradinha que não acaba nunca!”). Naquele ponto a empolgação já havia passado e a dor nas pernas gritava mais alto do que os gansos na beira do lago (que, aliás, são muito barulhentos mesmo!). Nos perguntávamos porque simplesmente não parar de correr e se entregar, caminhando o restante que faltava. Não devíamos nada pra ninguém mesmo, não é? Está certo que as garotas do quarto iriam zuar da nossa cara até falar chega, mas nós poderíamos suportar aquilo. O que estava ficando insuportável era olhar uma pra cara da outra, sabendo que ambas estávamos fingindo ser o que não éramos.(Por favor, não leve essa afirmação tão a sério. Éramos corredoras iniciantes. Hoje posso te garantir que o nível é outro - risos)
Bom, voltando ao assunto. Nós não devíamos nada pra ninguém. Mas havia alguém que devia. Logo o garoto chegou por trás e nos ultrapassou (mais uma vez!) com fôlego renovado. “Meu Deus” – pensei – “da onde ele tirou tanta energia?” Tinha que haver algo para incentiva-lo daquela maneira. Ele tinha encontrado um bom motivo pra continuar... E não somente isso, mas para seguir com força e determinação o que ainda lhe restava.
Sabe, no livro de Jeremias, o Senhor desafia o profeta a dar mais de si e não se entregar à autopiedade. Ele diz no capítulo 12 versículo 5 “Se te fadigas correndo com homens que vão à pé, como poderás competir com os que vão à cavalo?”. É a confiança d’Ele em você que explica as tribulações da vida. Cada milha da corrida é uma tribulação que, à medida do nosso avanço, nos exige um esforço maior. Mas Deus conhece as nossas forças amado, e Ele as mede até o último centímetro. Precisamos nos agarrar à força que há dentro de nós.
Essa força, na verdade, é o precioso minério da fé que Ele enxerga no centro desse diamante bruto que somos nós. Força que vem do Senhor (porque “a fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus” e Jesus é o Verbo que se fez carne, ou seja, Ele é a própria Palavra), que a deposita em nós através da atuação de Seu Espírito por reconhecer um campeão em nós. Cristo, o campeão.
Quando Daniela e eu já chegávamos ao fim de nossa corrida (Conseguimos, uhú!), encontramos o pai do garoto parado à beira do caminho. O garoto estava bem à nossa frente. O pai o estava esperando. E a terceira e última ‘lâmpada’ iluminou minha compreensão do cuidado do Senhor por nós.
Claro que Deus não vai embora, nos deixando tirar nossas próprias conclusões sobre uma corrida matinal. O Senhor quer nos mostrar que conseguimos continuar. Ele realmente acredita nisso, a ponto de nos esperar. Quem mais acreditaria em você assim?
Certa vez ouvi um pastor compartilhar que nós investimos em quem acreditamos. Talvez não haja nenhum motivo aparente para isso. Você vê alguma razão pela qual o Deus Todo-Poderoso acreditaria em você? Não? Nem eu vejo porque Ele acreditou em mim. Mas o fato é que Ele o fez. Há dois milhões de anos Ele permitiu a maior e mais dolorosa entrega de Seu Filho. E hoje o motivo pelo qual Ele acredita é esse mesmo Filho, o Cristo, que habita no homem por meio do Espírito Santo. Que habita dentro de todo que O recebe como Senhor e Salvador pessoal.
Agora, eis um novo elemento que surge diante de nós. É por causa dessa natureza divina dentro de cada um de Seus filhos, que Deus insiste. E insiste até esgotar cada gota de nosso suor gasto nessa corrida. Ele o fará para chegarmos ao ponto de total dependência d’Ele. Até não haver recursos humanos. Esse é o significado do “não mais eu vivo, mas Cristo vive em mim”. Você não vê?
Lá no início meu pensamento foi que o garoto foi correr com seu pai porque desejava se tornar como o mesmo. Mas veja, Deus já fez isso por você, antes mesmo que saíssem a “correr”! Você saiu para a corrida já se parecendo com Ele. Tendo a força Dele. A capacidade Dele. A perspectiva da corrida agora não é mais se esforçar para chegar ao final, aumentar sua resistência e afins. Você não se foca no esforço de completar tal corrida, tal carreira. Você agora se deixa ser guiado pelo Espírito Santo, à toda verdade, para trazer o Reino e cumprir a vontade divina. Experimente, pois, daquilo que “nem olhos viram, nem ouvidos ouviram” (Is. 64:4). Experimente de pensamentos altos, bem mais altos... (Is. 55:9)



Boa tarde! x